CUIDEM DA AMAZÔNIA E RESOLVAM O FRACASSO DA INDÚSTRIA

CUIDEM DA AMAZÔNIA E RESOLVAM O FRACASSO DA INDÚSTRIA

A selva Amazônica, protagonista mundial deste mês e pauta principal em reunião do G7, provocada pela pressão de fazendeiros e mineradores salientes pelo Dia do Fogo, agoniza a dura pena. Na ausência de um governo capaz de dialogar com os diversos agentes econômicos, dando razão prévia para os exploradores, os desmatamentos e as consequências ficam exacerbadas dando vetor de sobra para o desgaste diplomático. Vamos conversar sobre essa relação trazendo bônus tangentes ao debate público.

A discussão do ativo natural se tornar patrimônio da humanidade é válido na medida da instabilidade política do Brasil ser recorrente na história política a contar desde o império ao período da redemocratização.

A riqueza existencial, natural e cultural se faz presente na protegida floresta através dos povos indígenas antes da invasão dos europeus no século XV. Talvez a forçada retratação europeia se dê hoje pela ajuda de recursos financeiros capitalizando projetos sócio ambientais intermediado pelo banco público BNDES até os governos federais de 2018.

A formação de uma aliança de supostos liberais e conservadores no poder faz uma reviravolta nas políticas públicas para manutenção do sistema de proteção florestal e animal no Brasil. A síndrome eco-imperialista é repetida nos bastidores de acadêmicos influentes no Poder Executivo do Estado brasileiro.

Importante pausar para dizer o seguinte, a relevante dada atenção mundial referente as queimadas e incêndios tem sentido para uma relação que envolve em última análise o próprio consumo humano, mas pouco é chamada atenção acerca do genocídio promovido pelo governo brasileiro. De modo que a matança de animais e o assassinato de líderes indígenas são deixados à margem da discussão.

Floresce desta forma, o egoísmo humano muito para si e pouco para o mundo em sua volta. O aquecimento global é importante a partir de quando? A partir do momento que prejudica a qualidade de vida da população. O considerável aumento de gases tóxicos é importante a partir de quando? Quando o CO2 afeta a saúde e engaja problemas respiratórios nas pessoas. Há cinismo no protesto ambiental ocidental

A pressão de setores da economia clássica força o governo reagir positivamente no combate aos incêndios e queimadas, após a espinhosa mensagem de afrouxamento da fiscalização realizada pelos órgãos competentes. O espírito antiambiental do governo permanece ao apoiar indiretamente a destruição das florestas, o desmonte práticos das instituições e a continuação inexplorada da fauna brasileira. Toda e qualquer ação contra a esses preceitos estão relacionadas em nome da agricultura e pecuária e sua relação com o mercado externo.

Enquanto o lobismo do agronegócio, neste caso, felizmente vai na contra-direção ao crime sócio ambiental na biodiversidade da floresta Amazônica, mesmo que seu objetivo principal seja o crescimento das exportações, o fracasso da economia industrial segue forte no país.

Mas antes de chegar aos números até então inversos da indústria e da conservação da floresta, cabe inserir que a ideia de diversificar a atividade econômica é boa, mas os meios estão fora de cogitação. O extrativismo mineral e os pastos são modos de criação de riqueza antigo e nada sustentáveis, indo contra a globalização e as práticas de certificações ambientais modernas.

Se a lógica de que os fins justificassem os meios fosse correta, estaríamos extintos.  A chegada da economia de comunhão e da economia circular fornece tempo hábil para resgatar o que ainda não vivemos, mas que há grande chance de acontecer se continuarmos nesse caminho. O futuro do passado indica tempos pouco confortáveis do ponto de vista individualista e qualitativa de toda a vida na Terra.  


Situação industrial histórica

A indústria brasileira vem passando por transformações ao longo dos últimos anos, como apontado por NAKABASHI, CRUZ, SCATOLIN (2008). O desempenho dela é reflexo das fortes mudanças econômicas ocorrida no mundo desde a crise mundial de 2008 e ascensão da China no protagonismo global no comércio eletrônico e exportações de tecnologia. (HUNG, 2018).

Diante do cenário apontado, o decréscimo da indústria nacional é sentida nas demonstrações anuais da performance do Produto Interno Bruto (PIB)– Gráfico 1, aliado ao ambiente regional (alta carga tributária, desinvestimento no setor em tecnologia, mão-de-obra pouco qualificada, e instabilidade política) como bem aponta FLEURY e FLEURY (2003) em sua obra/artigo publicado em considerada revista científica.

É observado a seguir a influência da União no cenário apresentado nas suas recentes medidas cambiais e creditícias nos últimos governos brasileiros em relação a performance da indústria brasileira no período de 2008 à 2018. A métrica econômica aplicada foi a utilização da correlação parcial no indicativo de intervenção.

Gráfico 1. Performance do Produto Interno Bruto do Brasil

Fonte: Banco Mundial (2019). Elaborado pelo portal ADVFN Brasil.

Nos dados corrente acima, a informação coletada é de uma variação média entre 2008 até 2018 ao PIB em 1,9%, isto é, entre a duração da crise mundial e o início da guerra comercial dos Estados Unidos e China, o produto nacional se comportou próximos ao do crescimento mundial (BANCO MUNDIAL, 2019) e além da evolução industrial no período conforme demonstrado no Gráfico 2.

Gráfico 2.  Evolução da indústria brasileira

Fonte: IBGE. Elaborado pela Revista Veja.

O conturbado ano 2008, durante a pior crise global da história do mundo moderno, o maior país latino sentiu grande decaída na economia naquele mesmo ano, porém se recuperou fortemente a pontos iniciais no ano seguinte. O efeito mediano neutro a curto prazo gerou pontos baixos na perspectiva de crescimento. A aplicação da taxa de juros pelo Banco Central somado a política cambial no intervalo do fechamento dos anos de 2008 à 2018 gerou evolução negativa da indústria brasileira visto no gráfico 2.

Apesar das consequências políticas tragas com o efeito da crise econômica que perdura até hoje, forçando o endurecimento da austeridade fiscal e extremismos ideológicos (MIAN, SUFI, TREBBI, 2012) – observações constatadas pelo economista-líder do estudo, Amir Sufi, da Universidade de Chicago –  o cenário Brasil, em via de regra, vem diminuindo sua força industrial ao longo da década discutida.

A base de dados para tomar como vetores de cálculos para análise da correlação pelo método econométrico clássico foi através da fórmula de isolamento de variável para desligar sua influência a partir das outras duas, assim sendo a correlação parcial.

r12.3= ____r12-r13 . r23___

                  (1-r²13).(1-r²23)

Onde:

Tabela 1. Variação do crescimento da indústria 2008-2018.

Variação do crescimento da indústria 2008-2018
Ano Produção em % Taxa Selic em % Câmbio flutuante
2008 -14,58 13,66 2,39
2009 18,96 8,65 1,75
2010 2,66 10,66 1,69
2011 -0,93 10,9 1,84
2012 -3,66 7,14 2,08
2013 -2,28 9,9 2,35
2014 -2,66 11,65 2,64
2015 -11,97 14,15 3,87
2016 0 13,65 3,35
2017 4,92 6,9 3,29
2018 -3,58 6,4 3,88
 R X3 X2 X1

                           Fonte: IPEA. Elaboração própria do autor.

Gráfico 3. Influências na performance industrial

Fonte: Banco Central. Elaboração do autor.

A divulgação da correlação, pelo isolamento do crescimento da indústria, entre a política cambial e juros praticados, é importante notar moderado impacto negativo da taxa Selic com a performance da indústria geral do país.

Enquanto a taxa Selic permanecer ou inclinar-se à diminuição, o crescimento da indústria geral tende a crescer, sendo este coeficiente de Pearson em -0,5, observado graficamente assim:

Fonte: Banco Central. Elaboração própria do autor.

Também é de notável influência correlativa o crescimento da indústria geral com o câmbio flutuante sujo – assim conhecido – adotado no Brasil desde o início do século XX (REIS, 2018). Na imagem gráfica aérea é observado uma fraca tendência novamente negativa da taxa de câmbio e o crescimento industrial, assim sendo baixo em -0,4.

Gráfico 4. Fonte: Banco Central. Elaboração própria do autor.

Para finalizar estas análises individuais, é gerado uma correlação fraca, quase nula entre as taxas de câmbio e de juros no período discutido, isso pode ser justificado por restrições externas do mercado como aponta os estudos de NAKABASHI, CRUZ, e SCATOLIN (2008) ao setor exportador da economia brasileira.

Fonte: Banco Central. Elaboração própria do autor.

A taxa Selic pouco importa aparentemente com o fluxo volátil do câmbio em moeda estrangeira e vice-versa. As razoáveis intervenções do Banco Central pela política monetária neste sentido não interfere diretamente nas práticas estabelecidas da política fiscal. Sua correlação é zero, está em 0,07, dada as variáveis publicadas pelo próprio Bacen.

O presente artigo sustentado através de instrumentos macroeconométricos encontrou que em tese há relação linear fraca e inversa da indústria com a taxa de juros e a variável cambial. Havendo uma relação linear mais forte da indústria com a taxa de juros se não levado em consideração o câmbio. Não só isolando, mas sim deixando ele de existir nos parâmetros estatísticos a correlação linear se torna moderadamente possível.

Embora esta simulação fabricada com valores reais no período trabalhado entre dois importantes eventos mundiais atinja o resultado nulo isolando a produção da indústria como variável influente, ao não inserir o câmbio como variável influente, ou seja, quando calculado a correlação sem inserir o câmbio que possui forte ligação com o mercado externo, o efeito é de uma moderada correlação inversamente negativa da produção industrial e a taxa de juros indexada pelo Sistema Especial de Liquidação e de Custódia.

A pergunta passando na sua tela é a seguinte: será que o setor clássico da economia brasileira também tem influência na posição da indústria além da baixa no tratamento do meio ambiente a ponto de insistirem ser o principal gap de crescimento do Brasil?

A agropecuária, a indústria e a conservação ambiental devem e podem conviver em harmonia. Um é independente do outro, mas todos têm compromisso de manter o bem público de gerações futuras, espécies biológicas e a memória indígena.

REFERÊNCIAS

NAKABASHI, Luciano; CRUZ, Marcio José Vargas da; SCATOLIN, Fábio Dória. Efeitos do câmbio e juros sobre as exportações da indústria brasileira. Revista de Economia Contemporânea, Rio de Janeiro, v. 12, n. 3, p. 433-461, Dec.  2008. .   Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-98482008000300002&lng=en&nrm=iso>. Acessado em 17 de agosto de 2019. 

HUNG, Ho-fung. A ascensão da China, a Ásia e o Sul Global. Revista de Economia Contemporânea, Rio de Janeiro, v. 22, n. 1, e182213, 2018. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-98482018000100202&lng=es&nrm=iso>. Acessado em 21 de agosto 2019. 

FLEURY, Afonso C. C.; FLEURY, Maria Tereza Leme. Estratégias competitivas e competências essenciais: perspectivas para a internacionalização da indústria no Brasil. Gestão da Produção, São Carlos, v. 10, n. 2, p. 129-144, Aug.  2003. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-530X2003000200002&lng=en&nrm=iso> Acessado em 19 de agosto 2019.

MIAN, Atif, SUFI, Amir e TREBBI, Francesco. Restrições políticas após as crises financeiras. VoxEU.org, 21 de fevereiro de 2012. Disponível em <https://voxeu.org/article/political-constraints-aftermath-financial-crises> Acessado em 14 de Agosto de 2019.

REIS, Tiago. Entenda o que é câmbio flutuante e como esse regime funciona no Brasil. Suno Research, São Paulo, 31 de julho de 2019. Disponível em <https://www.sunoresearch.com.br/artigos/cambio-flutuante/> Acessado em 21 de agosto de 2019.

BANCO MUNDIAL 2019. Dados extraídos do Banco Mundial. World Bank Data. Disponível em <https://data.worldbank.org/country/brazil?locale=pt> Acessado em 21 de agosto de 2019.

Tabela 1. Dados extraídos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. IPEA Data. Disponível em < www.ipeadata.gov.br> Acessado em 15 de agosto de 2019.

Gráfico 1. Elaboração ADVFN News. PIB Brasil.  Bolsa de Valores ADVFN, Portal de Investimentos‎. Disponível em <https://br.advfn.com/indicadores/pib/brasil > Acessado em 21 de agosto de 2019.

Gráfico 2. Dados extraídos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Sidra IBGE. Disponível em <https://sidra.ibge.gov.br/home/pimpfbr/brasil> Acessado em 17 de agosto de 2019.

Gráfico 2. Elaboração Revista Veja. Pior resultado em quase uma década: produção industrial cai 10,9% em abril.  Revista Veja, Grupo Abril. Disponível em < https://veja.abril.com.br/economia/pior-resultado-em-quase-uma-decada-producao-industrial-cai-109-em-abril/> Acessado em 15 de agosto de 2019.

Gráfico 3 à 5. Dados extraídos do Banco Central do Brasil. Dados Abertos BCB. Disponível em < https://www.bcb.gov.br/estatisticas> Acessado em 21 de agosto de 2019.

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