LOGÍSTICA REVERSA: CONCEITOS DEMANDADOS E CARACTERÍSTICAS

LOGÍSTICA REVERSA: CONCEITOS DEMANDADOS E CARACTERÍSTICAS

INTRODUÇÃO

A logística reversa trata do fluxo de retorno de materiais produzidos, estocados e consumidos pelos clientes consumidores. Esse fluxo de retorno, também chamado de fluxo reverso, podem ser materiais enviados para reciclagem, embalagens para serem reaproveitadas, materiais com excesso em estoque ou avariados. Tem um custo de envio menor do que o fluxo natural dos produtos (fluxo direto), isto é, um custo menor do que aqueles que passam pela produção/fabricação, estocagem, distribuição, varejo e consumidor final.

Importante ressaltar que a logística reversa não é logística verde, embora ambos tratem da sustentabilidade, o primeiro envolve apenas a vinda dos materiais do consumidor para a cadeia de suprimentos, podendo parar em qualquer personagem da cadeia, ou indo direto para onde foi fabricado, já o segundo “conversa” com os personagens tanto na ida ao consumidor final como na volta. Logística verde é trabalhar a logística empresarial na diminuição de custos com enfoque no meio ambiente. Aliás, tanto a logística reversa como a logística verde pode gerar diferencial competitivo para o empresário, uma vez que o mesmo tenha o apetite para investir nos processos logísticos e nas pessoas que trabalham neles. O diferencial competitivo envolve desde a isenção de taxas tributárias por adotar políticas ambientais, gerando mais caixa para o negócio, até maior percepção de valor por parte dos clientes podendo ter chances de fazer a manutenção nos valores dos serviços prestados.

Normalmente os canais de distribuição reverso pós consumo – CDR-PC, ou seja, para onde os materiais vão depois de consumidos pelo cliente final, temos: a tradicional reciclagem, o desmanche do material e reuso dele com adaptações e manutenções sofridas. Na reciclagem o bem de consumo vira um novo produto para comercialização por opção, matéria-prima secundária. No reuso há uma recomercialização do bem ou uma doação por parte do proprietário do bem para uma instituição ou pessoa física. O desmanche, a depender do material, há uma série de oportunidades embutidas na fragmentação do bem consumido, pois os materiais gerados de um só desmanche podem ser vendidos, reusados e reciclados.

CONCEITOS TÉCNICOS

A. Qual é a diferença da Logística Verde para a Logística Reversa?

“Logística Reversa estuda meios para inserir produtos descartados novamente no ciclo de negócios, agregando-lhes valor de diversas naturezas. Enquanto a Logística Verde planeja e diminui impactos ambientais da logística comum.” (RESENDE, 2004).

 

B. O conceito de Fluxo Direto e Reverso e Diferença entre Fluxo Direto e Reverso

Em poucas palavras, o fluxo direto dos bens é como tradicionalmente conhecemos: fornecedores para os clientes/cadeia de suprimentos. Fluxo reverso é a logística integrada em sentido contrário: os produtos usados do consumidor final para as fábricas.

Fonte: Revista ESPACIOS

 

C. Principais canais de distribuição reversos de bens de pós-consumo – CDR-PC

Pós-consumo refere-se aos produtos já adquiridos e descartados pelo consumidor. São produtos cuja vida útil chegou ao fim ou que foram jogados fora devido a defeitos ocorridos ao longo do tempo, cujo conserto é considerado inviável, ou por não se adequarem mais às conveniências do consumidor.

Os canais de distribuição reversos de pós-consumo constituem-se pelo fluxo reverso de produtos ou materiais constituintes que surgem no descarte dos produtos depois de encerrada a vida útil e que retornam ao ciclo produtivo. Esses canais podem ser de reciclagem ou de reuso.

Reciclagem

Tornou-se uma importante atividade econômica, devido ao seu impacto ambiental e social, pois não beneficia somente a empresa que a adota, mas também uma parcela da população que enxerga nessa atividade a possibilidade de tirar seu sustento e obter alguma renda.

Reciclagem é o canal reverso de revalorização, em que os materiais constituintes dos produtos descartados são extraídos industrialmente, transformando-se em matérias-primas secundárias ou recicladas que serão reincorporadas à fabricação de novos produtos.

O processo de reciclagem envolve várias etapas, como coleta de material ou produto, seleção do item que será reaproveitado, preparação para reaproveitamento, processo industrial e consequente reintegração do material reciclado ao processo produtivo, sob forma de matéria-prima.

Entre as mais comuns no Brasil

 

Reuso

Diz respeito à reutilização de produtos ou materiais classificados como bens duráveis, cuja vida útil estende-se por vários anos. “Nos casos em que ainda apresentam condições de utilização podem destinar-se ao mercado de segunda mão, sendo comercializados diversas vezes até atingir seu fim de vida útil” (LEITE,2003).

O exemplo mais comum desse tipo de canal reverso é o comércio de automóveis usados, que representa uma grande parcela do comércio de automóveis. Esses canais definem-se como aqueles onde há a extensão do uso de um produto de pós-consumo, mantendo-se a mesma função que desempenhava.

Pallets, um dos símbolos da logística, podem entrar em reuso por vários anos

 

Desmanche

Outra maneira de tentar aproveitar produtos de pós-consumo é através do desmanche, onde são diversos materiais que podem ser obtidos através da desmontagem de bens de pós-consumo, para depois serem reaproveitados e retornarão ciclo produtivo.

Segundo Leite (2003), desmanche pode ser definido como um sistema de revalorização de um produto durável de pós-consumo que, após sua coleta, sofre um processo industrial de desmontagem no qual seus componentes em condições de uso ou de remanufatura são separados de partes ou materiais para os quais não existem condições de revalorização, mas que ainda são passíveis de reciclagem industrial. Os primeiros são enviados, diretamente ou após remanufatura, ao mercado de peças usadas, enquanto que os materiais inservíveis são destinados a aterros sanitários ou são incinerados.

O processo de desmanche é típico de bens de pós-consumo duráveis, geralmente veículos e máquinas de diversos tipos. Trata-se de uma atividade rentável e muito explorada, principalmente por pequenos comerciantes.

Chassi, braços pantográficos, rodas, peças do motor são desmanchados e vendidos a parte

 

D. Incertezas do fluxo de retorno e seus custos

A comparação dos custos no fluxo da logística reversa e logística direta são de maneira geral necessárias para o estudo da operação na logística.  O custo da logística reversa, a depender do tipo, tamanho e características do material, costuma ser menor do que o custo logístico total de fabricação do material até a chegada para o consumidor final.

O fluxo de retorno de produtos e materiais é o fluxo inverso da cadeia de suprimentos que passou a fazer parte das competências logísticas visando a satisfação dos clientes. Neste sentido, o fluxo de retorno tem o desafio de atender as expectativas dos principais stakeholders da cadeia como situações na comunicação e transporte de materiais.

 

A LOGÍSTICA REVERSA COMO DIFERENCIAL COMPETITIVO NA ESTRATÉGIA EMPRESARIAL MODERNA

Logística reversa tem se tornado importante para empresa, uma vez que as mercadorias devolvidas oferecem oportunidades para recuperação do valor, bem como economias de custo em potencial. Nas oportunidades de recuperação de valor temos a volta dos produtos pós consumo ou pós venda para um destino que gera mais chances de negócios, e a economia de custo em potencial significa distribuir os materiais nos canais reversos de distribuição e manejar para o melhor de acordo com o gestor de logística.

O diferencial não será porque sua empresa se utiliza da estratégia de logística reversa para obter mais oportunidades de negócios. O motivo do diferencial é a proposta que a logística reversa traz ao gerar maiores ganhos a longo prazo. O mercado não tem fim, é um processo constante de renovação. A competitividade permeia o tempo e a logística reversa consegue atingir fluxos de renovação, seja por novos produtos, seja por novos parceiros e inserção em novos mercados.

A consideração que a camada de clientes da empresa, podendo estes serem B2B, B2C ou C2C, quando almejarem e visualizarem o trabalho total e a destinação ou redestinação que a organização resulta na condição da logística reversa, embutida na logística verde, as chances de fidelização e inovação são mais assertivas por se tratar da redução de custos e aumento visível de investimentos nos processos de negócios.

 CITAÇÕES

 LEITE, Paulo Roberto. Logística reversa: meio ambiente e competitividade. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2003.

RESENDE, E. A força e o poder das competências, conecta e integra: competências essenciais; competências das pessoas; competências de gestão, competências organizacionais. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2004.

http://www.guialog.com.br/artigo402.htm

https://portogente.com.br/portopedia/73371-logistica-reversa-de-pos-consumo

http://www.administradores.com.br/artigos/economia-e-financas/logistica-reversa-como-diferencial-competitivo-no-pos-venda/12565/

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