Métodos de Custeio – Contabilidade Básica

Métodos de Custeio – Contabilidade Básica

Métodos de custeio são formas de apuração dos valores de custos dos bens, mercadorias ou serviços das entidades públicas e privadas. Segundo Eller (2000, p. 79), “os métodos de custeio tem como função determinar o modo de como será atribuído custo aos produtos”.

Vários são os métodos existentes, mas não pode se afirmar que um seja melhor ou que substitua o outro, pois são aplicáveis conforme as características das entidades, como ramo de atividade, porte, grau de detalhamento desejado dos valores de custos, objetivos gerenciais.

Custeio Padrão

O custo-padrão é um custo pré-atribuído, tomado como base para o registro da produção antes da determinação do custo efetivo. Em sua concepção gerencial, o custo-padrão indica um “custo ideal” que deverá ser perseguido, servindo de base para a administração mediar e eficiência da produção e conhecer as variações de custo.

Esse custo ideal seria aquele que deveria ser obtido pela indústria nas condições de plena eficiência e máximo rendimento. A Resolução CFC n° 750/93 fixou os Princípios Fundamentais de Contabilidade, dentre os quais aparece o Princípio do Registro pelo Valor Original que determina a avaliação dos componentes do patrimônio pelos valores originais das transações com o mundo exterior a valor presente em moeda nacional, sendo mantidos na avaliação das variações patrimoniais posteriores, o que descarta a utilização do custo-padrão para fins de avaliação dos estoques e dos custos dos produtos vendidos, posto que este pode divergir da transação efetiva.

Custeio Baseado em Atividades

As últimas décadas têm sido marcadas por profundas mudanças no mundo dos negócios. Devido à globalização da economia, as empresas passaram a focar seus esforços no aumento da produtividade com redução de custos, o que só é possível com um sistema de informações flexível e ágil, que forneça informações para a administração acompanhar a dinâmica do mercado.

Os sistemas tradicionais, conhecidos como sistemas de custeio baseados em volumes, foram desenhados para empresas que competiam no mercado com base em estratégicas de redução de custos de produtos homogêneos e manufaturados em grande escala para estoque. Estes sistemas apropriavam os custos indiretos com base em alguns atributos diretamente relacionados com o volume de produção, tais como horas de mão-de-obra direta, horas-máquinas, valor de material consumido e outros critérios.

A nova abordagem requerida na administração dos custos, voltada à máxima produtividade e à necessidade de maior controle sobre os custos indiretos, que hoje são muito mais significativos, fez surgir uma outra metodologia de apuração de custos. É o que tem sido utilizado com sucesso em muitas empresas industriais e de serviços, por tratar como base de custeio as atividades desempenhadas dentro das empresas, facilitando consideravelmente a análise do negócio por processos e eliminando a arbitrariedade dos critérios de rateio. Essa metodologia é denominada Custeio Baseado em Atividade – ABC (Activity Based Costing). O sistema de custeio baseado em atividades não se diferencia do sistema de custeio baseado em volume apenas pela mudança das bases de alocação de custos indiretos, mas também pela identificação que faz dos custos por atividade e pela maneira como aloca os custos aos produtos, através de maior número de bases.

O sistema de custeio ABC permite melhor visualização dos custos através da análise das atividades executadas dentro da empresa e suas respectivas relações com os objetos de custos. Nele, os custos tornam-se visíveis e passam a ser alvos de programas para sua redução e de aperfeiçoamento de processos, auxiliando, assim, as organizações a tornarem-se mais lucrativas e eficientes.

O ABC determina que atividades consomem os recursos da empresa, agregando-as em centros de custos por atividades. Em seguida, e para cada um desses centros de atividades, atribui custos aos produtos baseado em seu consumo de recursos. Com isso, é possível se determinar quais são os produtos subcusteados e quais são os supercusteados, possibilitando uma melhoria nas decisões gerenciais. O ABC permite ainda que se tome ações para o melhoramento contínuo das tarefas de redução dos custos, como a melhora dos serviços, avaliação das iniciativas de qualidade, corte de desperdícios, aprimoramento dos processos de negócio da empresa, entre outros

Pelas suas próprias características, o ABC tem como fortes candidatas a sua implantação as organizações que utilizam grande quantidade de custos indiretos no seu processo produtivo e que tenham significativa diversificação em produtos, processos de produção e clientes.

Embora suficientemente simples, o sistema de custeio ABC, tem contribuído para melhorar sensivelmente a tradicional metodologia de análise de custos. Seu objetivo é rastrear as atividades mais relevantes, para que se identifiquem as mais diversas rotas de consumo do recursos da empresa. Por meio dessa análise de atividades, busca-se planejar e realizar o uso eficiente e eficaz dos recursos da empresa. A atribuição de custos as atividades é feita de uma forma criteriosa de acordo as seguintes prioridades:

1) Alocação direta: isto se faz quando há uma identificação clara, direta e objetiva de certos itens de custos com certas atividades;

2) Rastreamento: é uma alocação com base na identificação da relação, causa, efeito, entre a ocorrência da atividade e a geração de custos. Essa relação é expressa através de direcionadores de custos de primeiro estágio, também conhecidos como direcionadores de custos e recursos;

3) Rateio: o rateio é realizado quando não há a possibilidade de utilizar nem a alocação direta, nem o rastreamento.

A medida que as empresas utilizam tecnologia de produção mais avançadas os custos indiretos de fabricação aumentam e o valor da mão-de-obra direta diminui. Assim a distribuição dos custos indiretos proporcionalmente a mão-de-obra direta conduz a um custeio incorreto dos produtos. Nesse intenso movimento de mudanças o processo de gestão empresarial passa por novos desafios e os gestores, necessariamente, passam a trabalhar com novos modelos de decisão e esses novos modelos de decisão demandam novas informações. Não podemos esquecer que a informação é a matéria-prima do processo de tomada de decisões.

Para melhor entendimento apresentamos as vantagens e desvantagens da aplicação do método de custeio ABC.

Como vantagens podemos ressaltar:

  • Informações gerenciais relativamente mais fidedignas por meio da redução do rateio;
  • Adequa-se mais facilmente as empresas de serviços, pela dificuldade de definição do que seja custos, gastos e despesas nessas entidades;
  • Menor necessidade de rateios arbitrários;
  • Atende aos Princípios Fundamentais de Contabilidade;
  • Obriga a implantação, permanência e revisão de controles internos;
  • Proporciona melhor visualização dos fluxos dos processos;
  • Identifica, de forma mais transparente, onde os itens em estudo estão consumindo mais recursos;
  • Identifica o custo de cada atividade em relação aos custos totais da entidade;
  • Pode ser empregado em diversos tipos de empresas;
  • Pode, ou não, ser um sistema paralelo ao sistema de contabilidade;
  • Pode fornecer subsídios para gestão econômica, custo de oportunidade e custo de reposição;
  • Possibilita a eliminação ou redução das atividades que não agregam valor ao produto.

Por outro lado, pode-se enumerar como desvantagens:

  • Gastos elevados para implantação;
  • Alto nível de controles internos a serem implantados e avaliados;
  • Necessidade de revisão constante;
  • Leva em consideração muitos dados;
  • Informações de difícil extração;
  • Dificuldade de envolvimento e comprometimento dos empregados da empresa;
  • Necessidade de reorganização da empresa antes de sua implantação;
  • Dificuldade na integração das informações entre departamentos;
  • Falta de pessoal competente, qualificado e experiente para implantação e acompanhamento;
  • Necessidade de formulação de procedimentos padrões;
  • Não é aceito pelo fisco;
  • Maior preocupação em gerar informações estratégicas do que em usa-las.

O sistema de custeio ABC apresenta diversas vantagens que devem ser cuidadosamente analisadas pelas empresas, com o sentido de serem tirados proveitos de suas informações, colocando a entidade em uma posição privilegiada. Contudo a necessidade imposta pelo mercado, os custos de implantação e acompanhamento, o recurso humano necessário, os produtos envolvidos, as necessidades dos gestores, etc., devem ser analisados para que se dimensionem as vantagens e desvantagens para cada instituição.

Não se pretendeu ser finalista nos estudos sobre vantagens e desvantagens do ABC, visto que em cada entidade poder-se-ão numerar outros pontos. O que deve ocorrer é manter-se sempre pronto para as mudanças mercadológicas e estar sempre preparados para reorganizar o sistema de custeio ABC de maneira harmônica com cada momento da economia. 

Centro de Custo

Centro de custo é uma classificação contábil que permite a melhor identificação da unidade geradora da despesa e/ou receita. O centro de custo pode ser produtivo ou rateado. Centro de custo produtivo é aquele que trabalha diretamente com a produção, ou seja, gera receita.

Um Centro de Custo é uma organização lógica que segmenta diferentes setores e atividades dentro de uma empresa. O conjunto dos centros de custo representam a estrutura total de uma empresa, sendo que cada um deles pode ser considerado, em termos, uma divisão independente.

Denomina-se centro de custo, as diversas seções de uma empresa delimitadas segundo o aspecto de localização de todos os custos aí verificados.

Os centros de custo tiveram origem no ramo conhecido como “Contabilidade Departamental”, desenvolvido pelas corporações americanas no início do século XX.

Com a sofisticação da gestão corporativa, os centros de custo passaram a fazer parte de um sistema maior, conhecido como Centros de Responsabilidade. Dessa forma, além dos centro de custos, passamos a contar também com os Centros de Despesas, Centros de Investimento (no qual a divisão não é por Departamento, mas sim por Projetos, Programas, etc.), Centro de Lucros (divisão da Receita por localização geográfica, etc.). Com outras formas de gestão alternativas à Departamentalização, a “Contabilidade Departamental” passou a ser conhecida como “Contabilidade Divisional”.

A partir dos anos 1960, os gestores americanos (chamados de controllers) começaram a integrar na Contabilidade Divisional, os Orçamentos. Dessa forma, quando os Orçamentos eram anuais, o sistema passou a se chamar de “Controladoria Contábil”. E quando os orçamentos eram a longo prazo, o sistema passou a se denominar “Contabilidade Estratégica”.

Os centros de custo classificam-se em produtivos e administrativos e, eventualmente, em auxiliares.

Centros de custo produtivo

São aqueles setores da empresa onde se processa a fabricação dos produtos. Divididos por cada departamento, ou processo.

Exemplo: corte, costura e acabamento na indústria de confecção.

Em empresas de médio e grande porte costuma-se subdividir ainda mais algumas seções produtivas de modo a separar em vários centros de custo as máquinas ou atividades que devam ter diferentes custos hora/máquina ou hora/homem, ainda que executando operações idênticas.

Centros de custo administrativo

São os setores que executam atividades de caráter gerencial ou administrativo da empresa.

Exemplos: administração geral, administração do material, expedição, vendas, filiais, etc.

Conclusão

Custos existem para serem controlados, administrados e reduzidos. Em qualquer empresa, sendo ela de pequeno ou de grande porte, é imprescindível que se faça as devidas divisões dos custos, despesas, investimentos, dentre outras fragmentações tradicionais da contabilidade básica. Ao longo do tempo, passado a Era Medieval, foram-se criadas por diversos autores muitas teorias, para uma melhor gestão da empresa, novas metodologias de custos.

Esta pesquisa foi concentrada em 3 dessas metodologias: Custeio Padrão, em que a organização coloca um custo básico padrão para as atividades de produção, dessa forma tem uma ideia escalar se o custo operacional está alto ou não. Custo ABC, um método totalmente atual, criado no final do século passado, define os custos indiretos, intangíveis, como por exemplo os processos, recursos empresa. No entanto, vale salientar que assim como existem inúmeras vantagens adotando este método, há também algumas desvantagens, dentre elas estão a necessidade de revisão constante, bem como a organização precisar de diversos dados, tomando assim um certo tempo. Centro de Custo é um foco objetivado em centralizar o principal fator gerador de uma receita ou até mesmo do própria despesa, são divididos em centros de custos administrativos (nos departamentos administrativos) e centros de custos produtivos (na execução, fabricação em si).

Sabendo e aplicando essas metodologias da contabilidade, é certo que qualquer empresa tenha uma visão mais amplificada do que está acontecendo, como está procedendo seus processos, atividades e/ou serviços, podendo melhorar sua relação com seus clientes, fornecedores e consumidores.

Referências

http://www.administradores.com.br/producao-academica/metodos-de-custeio-a-melhor-escolha-para-obtencao-de-lucro/2835/

http://www.portaldecontabilidade.com.br/tematicas/metodosdecusteio.htm

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-70772002000300001

http://pt.wikipedia.org/wiki/Centro_de_custo

www.ideagri.com.br/siteideagridados/Manual/hs280.htm

https://houseofwork.com/blog/o-que-e-centro-de-custo/

Artigo “Vantagens e desvantagens da utilização do sistema de custeio ABC” (Nilton de Aquino Andrade, Daniel Gerhard Batista, Cleber Batista de Sousa).

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