O PERIGO DA REELEIÇÃO EM TEMPOS DE SURTOS SANITÁRIOS

O PERIGO DA REELEIÇÃO EM TEMPOS DE SURTOS SANITÁRIOS

As reeleições nas Américas se torna o objetivo dos governantes, e esse instrumento acaba se tornando “uma premiação” pela boa administração de recursos no período até então exercido. É preciso pensar na boa prática política, na maior participação democrática, em mais rotatividade de líderes em uma sociedade tão complexa e multicultural. Mesmo em matilhas, os líderes, após épicas batalhas pela liderança, não duram proporcionalmente aos nossos quando estes conquistam seu espaço.

Talvez uma das piores dores de cabeça para a democracia seja o direito a reeleição. De associação de bairro à presidência da república, todo o trabalho realizado visa um pleito futuro para sua reeleição. É ético? Sim. É moral? Política é serviço. Política não é profissão. A finalidade de um cargo no Executivo não é implantar políticas públicas, mudar eixos governamentais para se reeleger, é fazer porque foi eleito para tal função. Essa é a proposta de valor do Ocidente.

A cada 4 anos ter obrigatoriamente um líder diferente no Executivo nos traria muito mais opções de participação popular literalmente sendo o Estado. No período de 20 anos, 5 líderes acompanhado do seu grupo político faria parte do Estado. Ao invés de 5 anos de permanência no poder como antes era; 4 anos possibilitaria a introdução de ganho de mais uma chapa.  Poder-se-ia diminuir o risco de aparelhamento estatal via instituições públicas ou por judicialização. Sem citar o custo de oportunidade que um chefe do Executivo obtém de articular e se preparar politicamente para uma possível promoção de cargo público.

Esse modo de pensar, a confusão de favores por obrigação e vice-versa, levou a crise econômica, política e social no Brasil por metade de uma década (2013-2018), a Revolução Branca ou Inverno brasileiro assim analogado.

Bom, então qual é o “presente” que a população pode dar a um chefe do executivo, senão a reeleição? Não sejamos ingênuos que não há troca de interesses, é natural que exista. Pois então, qual seria esse presente? Estando disponível em assumir outro cargo público democrático parece ser o caminho mais sensato.

No surto do Coronavírus SARS-CoV-2, provocando a doença Covid-19, o mundo presencia líderes e chefes do Executivo em algumas nações sinalizando reabertura econômica durante o período sensível da chamada quarentena, que é a perda parcial da mobilidade urbana por isolamento social, visando impedir erroneamente a médio prazo a recessão econômica e eventualmente o cancelamento do projeto de poder daquele grupo político.  

É preciso repensar a permanência de poder dos lobos.

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