PARQUE INDUSTRIAL vs PARQUE TECNOLÓGICO

PARQUE INDUSTRIAL vs PARQUE TECNOLÓGICO

O assunto do momento no meio acadêmico e do empresariado em busca de inovação são os parques tecnológicos, criadouros de startups capazes de integrar os mais novos modelos de negócios aplicados a empresas tradicionais. Utilizando-se da mecatronização – automação mecânica – e das plataformas tecnológicas – big datas digitais – são as pistas duplas da ponte para o antigo design do parque industrial. A reinvenção do parque industrial passa necessariamente de uma aplicação do parque tecnológico como recurso de inspiração e produção, talvez transição em um diferente momento do mundo atual.

A educação alinhada ao empreendedorismo trouxe formas remodeladas da tecnologia como fator de produção nesta vertente industrial, fabril, mecânica, a possibilidade de implantação de métodos mais dispostos, favoráveis, produtivos, diversos, dinâmicos, dentro do processo criativo e burocrático nas organizações com e sem fins lucrativos. A cultura empreendedora é fundamental para a criação desta riqueza econômica e educacional instaurada. Neste sentido, os parques tecnológicos estão à frente dos parques industriais, embora ainda contribuem enormemente para a economia nacional. Vamos adentrar.

Revoluções industriais trouxeram consigo a figura da indústria fabril como centro do capitalismo industrial. Galpões e armazéns enormes eram transformados em núcleos maquinistas para o processo produtivo de bens materiais primordiais na Idade Moderna. Está certo em dizer da continuação da existência de empreendimentos desta magnitude nos polos/parques industriais das cidades. O ponto observado é a sua relevância em função de outro fenômeno analisado dentro da evolução do capitalismo com a permanência central de pessoas e do objeto em apreciação: os parques tecnológicos.

Em um parque industrial há inúmeras empresas produzindo grandes artefatos semelhantes entre elas. Indústrias de transformação e extrativas também são encontradas em locais do tipo. Governos subsidiam parte da sua implantação favorecendo com redução tributária, com cedimento de terrenos ou financiamentos de longo prazo em juros baixos.  Gestões das firmas são normalmente verticais e burocráticas.

Antes de falar sobre os parques tecnológicos, cabe relembrar o mais famoso do mundo, o Vale do Silício. Eles normalmente são chamados ou apelidados pela população local em homenagem a aspectos históricos e culturais. The Silicon Valley, para tomar como exemplo, foi chamado assim por ter se tratado de uma zona de tecnologia eletrônica baseada no silício até meados do século passado. Sendo um forte parque industrial antes da transição como parque tecnológico.

A energia renovável à frente. A queima de combustíveis fósseis ao fundo. PCTs na promoção da sustentabilidade. A indústria tradicional em transição.

 

Os parques tecnológicos são ambientes abertos de localização delineada e composta por instituições de ensino em todos os níveis em parceria com empresas globais e respectivos governos como auxílio impulsionador de facilitação tributária, burocrática e em alguns casos, abrindo editais de subvenção econômica – repasse de recursos públicos para determinado projeto inovador e de cunho social. Projetos empresariais configurado como startup é o núcleo de um parque tecnológico, pois é o resultado na prática da universidade empreendedora – aquela que exerce o papel de desenvolvimento empreendedor para seus formandos, propiciando desde um ambiente empreendedor até aplicação de metodologias modernas de ensino – com a cultura proativa, protagonista da comunidade e em busca de oportunidades no mercado.

Mas, do ponto de vista econômico, científico e tecnológico qual das duas “pólis” tem um maior impacto na sociedade? A resposta demagógica seria obviamente os parques tecnológicos. No entanto não é bem assim. O parque industrial ainda é o maior ambiente de concentração de empregos fora do setor de serviços, em centros de cidades. O polo industrial de Camaçari, cidade da região metropolitana de Salvador, na Bahia, o maior polo do Hemisfério Sul, reúne cerca de 40 mil trabalhadores. O Complexo de Suape, voltado para a logística e contendo um hub port, em Pernambuco, nordeste do Brasil, são gerados 50 mil empregos diretos e indiretos.

Vale levantar que a concentração de renda das empresas de fato pode ser maior em cifras do que em parques tecnológicos. Nos parques tecnológicos temos muitas pequenas empresas e embriões de grandes empresas; nos parques industriais a instalação de muitas gigantes internacionais é uma realidade. O primeiro caso emprega-se n números de pessoas para muitos projetos; no segundo, milhares em poucas firmas se comparado ao ambiente científico.

Universidades corporativas dentro dos parques industriais tem sido uma solução para minimizar a singularidade nesses ecossistemas. Do lado oposto, grandes empresas fazem questão de instalar suas dependências no ecossistema do parque tecnológico, desde que o mesmo não seja reduzido a um prédio ou uma área delimitadamente fechada, como é o caso do parque em Salvador/BA, e ao contrário em Recife/PE, continuando com exemplos do nordeste brasileiro.

Prédio do Parque Tecnológico em Salvador, o Tecnocentro

 

A cidade de Santa Rita do Sapucaí é um grande case nacional para explorar o que será trago em seguida. É uma cidade modesta composta por 40 mil habitantes no sul de Minas Gerais que em números de performance financeira na relação população-firma per capita é exorbitante. O faturamento ultrapassa os 875 milhões de dólares, mais de 3 bilhões de reais em conversão. Isto se deve ao ambiente promovido entre todos daquela comunidade populacional dentro da perspectiva cultural-educacional empreendedora, sem precisar destacar a presença do parque tecnológico e suas inovações e do o polo industrial eletrônico também presente naquela região.

Estratégias empresariais híbridas já são largamente difundidas pelas grandes organizações. Elas criam programas colabs, concursos e premiações de projetos inovadores, núcleos públicos de criação, justamente para se aproximar do jovem inovador recém-formado ou em formação nas universidades e escolas técnicas objetivando levantar uma organização mais moderna em constante processo de atualização. Agora tente aplicar essas estratégias na sua pequena empresa, se você possuir uma, quer possuir ou está em alguma. Instituições educacionais também é válido e serve a aplicação desta estratégia, desta vez é claro, de maneira inversa: onde a gestão da instituição com o apoio da secretaria responsável acadêmica/escolar oferece suporte para o educando nos âmbitos da formação empreendedora, além da formação técnica em repasse de conteúdos e extensão.

Área do Parque Tecnológico em Recife, o Porto Digital

 

Parques científico-tecnológicos, PCTs, são formados juridicamente como associação de direito privado, as empresas em formação contida nele tem maior abertura para entrar em pivotação do negócio. Parques industriais são zonas territoriais reservadas para o desenvolvimento da empresa industrial montadora explorativa. Ambos visam o desenvolvimento econômico de seus empreendimentos contemplados. O primeiro abre espaço para o aprendizado e flexibilidade; o segundo para a eficiência técnica e de um projeto centrado.

De todo modo, onde não haver possibilidade, ou haver dificuldades, ou não ter iniciativa na criação dos parques tecnológicos e no cenário oposto, empresas com atividade produtiva semelhante, fabris, mecanicistas, manufatureiras, onde a presença e o apoio do governo local na criação de um polo industrial, mesmo que modesto, seja inexistente, em ambos os casos, a execução das estratégias empresariais híbridas, em que falte um organismo de conexão dos agentes econômicos, a aproximação proativa deles são fundamentais no desenvolvimento inovativo e acadêmico. Empresas, aproximem-se da universidade independente da presença de parque industrial ou tecnológico; da mesma forma, universidades, aproximem-se do mercado, pois é um fato inerente aos egressos dos seus cursos.

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